O narrador desta história era um general que cedo descobriu que pertencia a uma classe social privilegiada. Com o tempo veio-se a aperceber que tal situação, necessariamente alheia à sua vontade, lhe facilitava muito a vida. Nini fora a sua ama, fora ela quem o amamentara quando bebé em virtude da mesma Nini ter sido mãe aos 17 anos. Mas o seu filho havia morrido ainda bebé. Já no colégio o narrador fez-se muito amigo de Konrad, que era um tímido rapaz oriundo de uma família socialmente bem menos favorecida. A mãe de Konrad era de ascendência polaca e ainda era prima do grande compositor polaco Chopin. Visto que Konrad é o seu grande amigo o narrador rapidamente o apresenta à família, esta recebe e receberia Konrad como se ele pertencesse efectivamente à família. Porém o pai do narrador ao conhecer o Konrad adverte o filho que o seu amigo é diferente.
Konrad revelar-se-ia um ser mais culto com muito mais capacidades artísticas que o "nosso narrador", contudo Konrad vai-se sentir sempre mais diminuído que o amigo, aceitando mal o facto de o mesmo ter mais capacidades económicas do que ele. Devido a esse facto ele jamais aceitará dinheiro ou qualquer presente do amigo. Konrad seria um rapaz muito reservado, ficando muito em casa. Quanto ao "nosso narrador" teria uma grande convivência social, saltando de festa em festa.
Mas as suas vidas mudariam definitivamente quando ambos têm trinta anos. Konrad havia apresentado ao amigo Krisztina que era uma rapariga bela porém de origens bem humildes. Esta vivia na guarda de um velho homem que copiava partituras musicais. Krisztina casaria com o narrador, mas não o fizera apaixonada por ele mas antes grata pela mudança para melhor da sua própria condição social. Krisztina não poderá ser vista como uma convencional "alpinista social", já que manteve os seus hábitos de mulher simples, gostando e destacando as coisas mais simples da vida. Como estava grata ao seu marido ele própria congeminou um hábito que iniciaria aquando da sua/deles Lua-de-Mel. Ela combinou com o seu esposo general (e uma vez que se sentia um pouco em falta) escrever toda a sua vida assim como todos os seus pensamentos num Diário de capa de seda amarela. O Diário seria colocado num local do conhecimento dos dois e ficava desde já combinado que o general teria toda a liberdade de o ler quando desejasse ou tivesse dúvidas.
Passou-de depois algum tempo. Mas certo dia quando o general fora à caça com o amigo Konrad aconteceu algo que mudaria para sempre o curso das suas vidas: o general estava num local mais à frente do que o Konrad e observava um veado que estava estático mesmo na mira da sua arma. Konrad estava consequentemente atrás do amigo. O general não se virou para trás, contudo teve a percepção exacta de que o seu amigo de há já tantos anos lhe apontava a arma. O general pensa assim que vai morrer mas nem por um momento se mexe ou olha para trás. Konrad contudo não conclui o acto pelo que passados breves instantes baixa a arma. Durante muitos anos eles não vão falar sobre aquele acontecimento.
À noite o general janta com a esposa e o amigo Konrad como era muitas vezes habitual e no dia seguinte Konrad desaparece da vida dos dois. O general vai procurar o amigo à casa deste. Vai lá pela primeira vez na sua vida pois Konrad jamais o havia convidado a ir ali. O general pensava que o amigo nunca o havia convidado a ir a sua casa pois a mesma seria muito modesta, contudo o general dá de caras com uma residência ricamente decorada. Depois e inexplicavelmente surge ali Krisztina mas esta parece não estranhar nem temer muito pela presença do marido ali, pois a única palavra que diz (sem se dirigir a ninguém) é: "Cobarde!" e vai-se embora.
O general vai para casa e espera pela esposa durante um dia inteiro esta porém não aparece. Depois desse dia o general vai viver para a sua casa de caça que distava cerca de 20 Km da sua mansão. Pensa que se Krisztina quiser ficar com ele só terá que aparecer mas ela jamais o fará. Krisztina morre passados oito anos.
À altura do encontro final entre os dois amigos, haviam-se passado 41 anos sobre a data daqueles acontecimentos que determinaram toda uma mudança radical da vida dos dois. Agora Konrad aparece finalmente na casa do seu amigo convidado por este pois quer ter com ele uma derradeira conversa. E o que é que o general quer saber? Se Krisztina soubera ou fora cúmplice da tentativa de assassinato do dia da caça. A conversa é muito longa, contudo só o general é que fala, e fala através de um palavreado repleto de elegância e de conhecimento. Já se haviam passado muitos anos é certo, contudo ao narrador já nada interessa no que concerne a detalhes de recortes mais sórdidos, que falem de uma qualquer traição entre aquele velho amigo e a sua falecida mulher. Quer somente saber se a mulher (que afinal a meu ver não fora amada nem por um nem pelo outro), havia também congeminado sobre o desaparecimento do marido. Será que a palavra "Cobarde" proferida por ela, aquando do desaparecimento de Konrad não fora dirigida a este devido ao facto de este não ter tido a coragem de matar o general? ou do facto de Konrad não ter tido a coragem de prosseguir com o relacionamento físico com ela.
O general fora informado pela sua velha ama Nini, que havia estado presente aquando da morte de Krisztina, que havia sido o seu nome a última palavra proferida por aquela. Mas agora e ali o Konrad nada revela... Apesar do jantar se ter prolongado noite fora.
A mim ficaram-me algumas questões sem resposta que durante alguns dias me ocuparam os pensamentos. Será que uma amizade pode ser efectivada na sua plenitude sendo os seus elementos pertencentes a classes sociais distintas? Não haverá ali lugar para aproveitamentos? Não haverá à recusa subliminar de qualquer tipo de aproveitamento, lugar a situações de inferioridade por parte da pessoa que pertence ao estrato social mais frágil? Será que o mais culto não poderá por si só também valorizar a sua situação? Afinal o general nada fizera para pertencer a uma família rica, mas Konrad teve absoluta responsabilidade pelos seus conhecimentos culturais acrescidos, assim como do desenvolvimento das suas capacidades artísticas (se bem que estas são inactas mas têm que ser desenvolvidas)? E a amizade e o seu valor sublime será que se compromete com valores tão mesquinhos como o lugar que a pessoas ocupa na sociedade? (Sim eu sei que sou uma rapariga ingénua...)
Eu acredito piamente que numa verdadeira amizade não se espera nada em troca além de amizade... porém ali ao que parece houve traição. Há aqui todo um manancial de sentimentos contraditórios. O que é que interessa verdadeiramente na vida, será somente o poder económico? Ter ciúmes de quem tem poder económico? Ou não será melhor apreciar efectivamente as coisas simples da vida, renunciando a outros valores que são supostamente vistos como essenciais, patrocinadores de um certo estrato social, contudo desconexos e incapazes de fazer com que um ser humano saiba sentir o verdadeiro valor da solidariedade.
Não estou a falar aqui da traição vivida, pois eu admito a minha se calhar ingenuidade de achar que a mesma a existir é secundária (também a foi para o general que mais que saber sobre a traição de que foi aparentemente alvo) quis saber o porquê da atitude do amigo e do grau de cumplicidade da Krisztina. Mas e como em muitas ocasiões da vida, o general aqui também não teve qualquer resposta.
Com o credo na boca e auto-penitenciando-me até ao infinito atribuo a este livro 4 valores.
4/5.
Boas Leituras...

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