Leo, o personagem principal deste livro, sobreviveu à Segunda Grande Guerra porque a sua mãe o amava. Aquando de uma perseguição nazi, a mãe disse-lhe para ele se ir esconder na floresta, prometendo-lhe depois que lá iria ter com ele, mas tal jamais viria a acontecer.
Quando muito novo, Leo amou Alma que era uma jovem e de naturalidade polaca como ele. Esta foi para os Estados Unidos, grávida. É indiscutível que Alma tenha amado Leo, mas é absolutamente inquestionavel que tenha amado ainda mais o filho de ambos. É na América que tem o filho, já fazendo parte de uma família norte-americana comerciante de tecidos, já que havia-se desposado com o filho destes.
Leo escreveu todo o amor que sentira por Alma num livro a que intitulou de "História do Amor". Ali falou refletidamente sobre a natureza do sentimento que havia sentido no passado, assim como dera o nome de Alma à protagonista do seu livro. E, sem que Leo tenha dado conta, o livro sobreviveu-lhe e teve a sua vida própria. Leo havia entregue o manuscrito a um seu amigo de infância que depois fugira para o Chile. É no Chile que o amigo publica aquele livro em nome próprio.
Quanto a Leo, também ele fora para os EUA. Lá apercebe-se que o grande amor de sua vida havia-se casado com outro, pelo que fica de coração destroçado. A partir dali Leo tem uma vida muito sofrida. Acompanhou e amou o seu filho à distância. Nunca lhe perdeu o rasto apesar de nunca falar com ele.
Com o passar do tempo, Isaac, o filho de Leo torna-se um escritor celebre e vai ter acesso ao livro "História do Amor", sem sequer desconfiar que o autor do mesmo é o seu próprio pai. Mas Isaac morre precocemente, vitimado por uma doença muito grave. Mais uma vez o Leo fica completamente destroçado.
Desta história faz ainda parte Alma uma jovem judia residente nos EUA. Na sua família, o amor fora prática constante. O seu pai havia morrido quando ainda era muito novo deixando à filha um parco conjunto de recordações. A mãe de Alma havia amado muito o seu marido, e havia-o amado tanto tanto, que passados tantos anos ela ainda vivia muito triste devido à saudade. Mas a vida daquele núcleo familiar muda, quando a mãe de Alma recebe uma encomenda de trabalho, que consistia na tradução do livro "História do Amor". A mãe de Alma já havia lido aquele livro. O mesmo havia-lhe sido ofertado pelo amor da sua vida quando ainda namoravam um com o outro. E ela gostara tanto daquele romance que havia dado o nome da protagonista à sua própria filha.
Alma preocupava-se muito com a mãe. Queria que ela deixasse de se sentir tão triste. Alma pretende assim arranjar um novo amor para a sua mãe, e aquele indíviduo que lhe havia encomendado o trabalho parecera-lhe perfeito para o caso. Mas quem fizera o pedido fora Isaac, o agora falecido filho de Leo. Lá mais para o fim do "nosso livro" o encontro entre a jovem Alma e o velho Leo acontece e na conversa, é dita muita coisa.
Neste romance ficou-me muito presente uma ideia: o amor é o elemento aglutinador de toda uma sociedade. O livro de Leo funcionava como que um tratado já que falava para além das suas características, também da forma como o sentimento havia surgido. Ou seja, fala no seu aparecimento na vida de uma pessoa, sem deixar de falar de como é que o amor surgiu pela primeira vez na vida da sociedade. Fala nos tempos em que o ser humano começou a comunicar com o seu semelhante e a tentar transmitir ao outro a natureza dos seus afectos. O amor sentido de Leo pela sua amada única é aqui reverenciado, é eterno. O amor que a mãe de Alma sentiu pelo falecido marido é de iguais proporções ao acima referido. O amor é então algo que liga inequivocamente tanta gente, mas que separa também ele outros tantos menos abonados. Existem todos aqueles a quem devido ao amor sentido e não correspondido da mesma maneira, constitui motivo suficiente para se sofrer toda uma vida. Perante um amor sentido e recusado ou perdido, muita gente recusa-se a procurar um ... novo amor. E para pessoas como Leo, o amor sentido no passado fora tão efectivo e magnifico que é considerado absolutamente... insubstituível.
Com o credo na boca e fazendo uma cruz na testa atribuo a este livro a nota: 4

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